30 de mai de 2015

Resenha: O Poço da Ascensão - Brandon Sanderson


Título: O Poço da Ascensão
Original: The Well of Ascension
Série: Mistborn #2
Autor: Brandon Sanderson
Páginas: 720
Editora: LeYa (abril de 2015)

Sinopse: A queda do Império Final trouxe a esperança. E despertou mistérios assustadores. Numa sucessão de golpes de sorte, Elend Venture subiu ao trono de Luthadel, a principal cidade do Império Final. Nos meses que seguiram a queda do Senhor Soberano e a dissolução de seu governo, o novo rei revolucionou as relações entre os skaa – a classe social mais baixa – e os nobres, atraindo a atenção dos diversos governantes das outras partes do grande império. Dentro das muralhas de Luthadel, o perigo espreita de todos os lados. Assassinos de aluguel alomânticos ameaçam a vida do rei, a desconfiança generalizada faz a população temer pelos rumos da cidade e desejar o retorno do Senhor Soberano, e um inverno inclemente se aproxima. Elend, Vin e o bando de Kelsier tentam manter o controle a todo custo, mas os piores inimigos ainda estão por vir. Fora das muralhas, arma-se um cerco militar gigantesco. À frente dele, Straff Venture, o pai de Elend, um tirano cruel e desesperado pelo poder, busca invadir Luthadel. E ele não está sozinho. Reviravoltas e surpresas marcam este segundo volume da trilogia Mistborn - Nascidos da Bruma. O destino de todo o Império Final está envolto nas brumas, e apenas uma força sobrenatural será capaz de desvendar os mistérios que assolam seus habitantes.

Contém alguns spoilers do livro anterior.

O Poço da Ascensão era um dos livros que eu mais esperava ler em 2015 e cá estou eu, escrevendo essa resenha após terminar de desbravá-lo algumas horas atrás. Enfim, vamos ao que interessa.

Como visto no primeiro livro, O Império Final, a supremacia do Senhor Soberano chegou ao fim, logo após ser morto por Vin, no evento que ficou conhecido posteriormente como O Colapso. Kelsier também se foi em meio à essa luta, mas todos sabem os reais motivos de sua morte e a necessidade dela acontecer para que o povo skaa se rebelasse contra a tirania imposta pelo Império Final.

Quem está no comando agora é Elend Venture, o nobre que não larga a mão dos seus livros e ainda por cima apaixonou-se por Vin. Mas eles descobrirão que, mais difícil do que conquistar uma cidade, é mantê-la depois. Os skaas ainda sentem a falta de Kelsier, o Sobrevivente, e a sua gangue de ladrões também, já que era ele quem comandava todas as ações.

Além disso, tudo pode piorar de uma hora para outra, mesmo que isso pareça impossível.

Caos e instabilidade, a bruma era os dois. Sobre a terra havia um império, dentro daquele império havia uma dúzia de reinos fragmentados, dentro desses reinos ficavam cidades, vilas, vilarejos, fazendas. E, acima de todos eles, dentro deles, ao redor deles, estava a bruma. Era mais constante que o sol, pois não podia ser ocultada pelas nuvens. Era mais poderosa que as tempestades, pois sobrevivia a quaisquer fúrias climáticas. Sempre estava lá. Mutável, mas eterna.

Diversos rumores sobre o comportamento das brumas começam a se espalhar por aí, como os que dizem que elas estão começando a cair durante o dia e atacando pessoas. Forças sobrenaturais parecem estar por trás disso, e resta a Vin e cia. aprender como lidar com as consequências.

Exércitos começam a aparecer ao redor de Luthadel para tentar tomá-la, visto que agora a instabilidade política é grande. Um desses exércitos é comandado por Straff Venture, pai do próprio Elend, que conta com uma carta na manga para conseguir o deseja: um Nascido da Bruma.

Outro dele é comandado por Cett, outro nobre que está querendo ficar com a cidade de Luthadel.

Já o terceiro exército está sob comando de um conhecido de Elend Venture e conta com alguns guerreiros muito singulares: koloss. Criaturas que estavam sob o comando do antigo Senhor Soberano e que possuem diversas formas, desde uma mais simples, parecida com os humanos normais, até uma forma gigantesca, de quase 4 metros de altura, olhos avermelhados, com espadas monstruosas às costas e possuidoras de uma pele azul totalmente esticada a ponto de se romper em várias partes. Quanto maior o koloss, maior o problema enfrentado pelo inimigo. Como alguém consegue controlar um exército desse tipo? Só lendo para descobrir a resposta...


Aliás, teve uma só coisinha que me incomodou (levemente) durante a leitura: o mimimi exagerado da Vin e do Elend em alguns momentos da narrativa. Parecia coisa de adolescente!! Um achava que o outro não o merecia por ser bom demais, o outro achava que precisava de alguém melhor, e assim por diante. Enfim, coisas desse tipo, mas nada a ponto de estragar o andamento das coisas. Acho que o Brandon se utilizou disso mais pra desenvolver o relacionamento de ambos, tornando essas partes um pouco "necessárias" para entendermos melhor o contexto.

Aproveitando o embalo dos "incômodos", faltou a LeYa caprichar um pouquinho mais na revisão. Dezenas de palavras escritas de forma errada, parece até que não tomaram todo o cuidado necessário pra uma obra desse nível. Obra essa que demorou mais de 1 ano pra ser lançada, por sinal. Vamos acelerar isso aí, queremos o 3º livro logo!

Não posso esquecer de comentar também sobre o desenvolvimento do Elend em outro aspecto: a parte política. Agora que é o rei, suas atitudes deverão mudar, não podendo depender só dos livros para fazer o que precisa. Achei essa questão bem aproveitada durante a narrativa, com vários personagens sendo introduzidos e tornando-se importantes para o reinado do nobre Venture.

Outro ponto que ganhou bastante destaque nessa obra é a noção cada vez mais aprofundada que a Vin tem dos seus próprios poderes, que parecem ser ilimitados. De uma simples ladra das ruas até se tornar uma poderosa Nascida da Bruma, Vin cada vez mais aprende que, para uma Mistborn, não existem limites. Ainda mais quando ameaçam os que estão do seu lado.

"- Ele ameaçou tudo que amo - ela sussurrou. - Logo ele saberá que existe algo neste mundo mais mortal que seus assassinos. Algo mais poderoso que seu exército. Algo mais aterrorizante que o próprio Senhor Soberano. E eu estou indo buscá-lo."

Ah, aproveitando a imagem, finalmente descobri o porquê dessas espadinhas gigantescas que eu via toda hora nas fan arts espalhadas por aí. São de dar medo, literalmente! Sem contar o estrago que as coitadinhas podem fazer nas mãos de uma alomântica poderosa como Vin.

Explicando um pouco o título da obra, o tal Poço da Ascensão refere-se a um local que, segundo as lendas, foi onde o Senhor Soberano adquiriu os seus poderes e, ao invés de renunciá-los para o bem da humanidade, resolveu aproveitar-se deles para escravizar todo mundo e assim ficar no poder.

As primeiras partes do livro são um pouco mais lentas, devido às intrigas decorrentes do golpe de estado realizado pela equipe do Kelsier, digamos assim, já as partes finais são mais aceleradas, bem ao estilo do Brandon Sanderson, trazendo o que ele tem de melhor para essa obra.

O Poço da Ascensão é um livro essencialmente político, focado na disputa pelo poder e nas tramas por trás disso. Mesmo que isso torne a leitura um pouquinho mais lenta, me vi voando nas páginas finais, de tanta coisa alucinante acontecendo ao mesmo tempo, tantos segredos sendo revelados e novas perspectivas sendo apresentadas. Leitura obrigatória para os fãs da série, não perca seu tempo, avive logo o seu peltre e vá correndo até a livraria mais próxima da sua casa.

Avaliação final:

Mistborn: 

1º livro - O Império Final
2º livro - O Poço da Ascensão
3º livro - The Hero of Ages (sem previsão de lançamento)

23 de mai de 2015

Resenha: República de Ladrões - Scott Lynch


Título: República de Ladrões
Original: The Republic of Thieves
Série: Nobres Vigaristas/Gentleman Bastard #3
Autor: Scott Lynch
Páginas: 544
Editora: Arqueiro (maio de 2015)

Siqnopse: Envenenado e à beira da morte, Locke Lamora segue para o norte com seu parceiro, Jean Tannen, em busca de refúgio e de um alquimista para curá-lo. Porém, a verdade é que ninguém pode salvá-lo. Com a sorte, o dinheiro e a esperança esgotados, os Nobres Vigaristas recebem uma oferta de seus arquirrivais, os Magos-Servidores. As eleições do conselho dos magos se aproximam e as facções precisam de alguém para fazer o trabalho sujo, manipulando votos. Se Locke aceitar, o veneno será purgado de seu corpo com o uso de magia – mas o processo será tão excruciante que ele vai desejar morrer. Locke acaba cedendo ao saber que o partido da oposição contará com uma mulher do seu passado: Sabeta Belacoros, a única pessoa capaz de se igualar a ele nas habilidades criminosas e mandar em seu coração. Novamente em uma disputa para ver quem é o mais inteligente, Locke precisa se decidir entre enfrentar Sabeta ou cortejá-la, e a vida dos dois pode depender dessa decisão. República de ladrões leva o leitor ao início da vida de Locke enquanto flerta com o seu fim, revelando todos os matizes de Sabeta e de seu relacionamento com o líder dos Nobres Vigaristas. Misturando momentos tensos e cômicos do passado e do presente, esta obra é, até agora, a melhor de Scott Lynch.

Contém alguns spoilers dos livros anteriores.

A narrativa desse 3º livro da série Nobre Vigaristas começa logo após os acontecimentos do volume anterior (Mares de Sangue), quando Locke Lamora e Jean Tannen estão fugindo da cidade de Tal Verrar. Quando chegam a Lashane, Locke começa a sentir fortemente os efeitos do veneno injetado em seu corpo, ao contrário de Jean, que acabou tomando o antídoto todo, como foi visto no último capítulo de Mares de Sangue. E está sentindo tão fortemente esses efeitos que a morte parece certa a cada minuto que se passa. É nessa hora que entram os Magos-Servidores.

Próximos da próxima eleição que elegerá o Konseil, que é composto por dezenove representantes da cidade de Kartane, a Arquidama Paciência resolve pedir a Locke Lamora e Jean Tannen uma ajudinha para que o seu partido, o Raízes Profundas, finalmente vença o oponente Íris Negra depois de dois anos. A contra-partida? Tirar o veneno do corpo de Locke e consequentemente salvá-lo. Seria essa uma troca justa e simples ou a Maga-Servidora tem algum outro plano em mente?


Falando em Magos-Servidores, gostaria até de fazer um adendo aqui: eles são um dos pouquíssimos elementos fantásticos que podemos ver nessa série, e nem por isso ela se torna pior ou melhor que as outras. Eu consideraria Nobres Vigaristas como uma série de aventura de ladrões com uma pitada leve de fantasia e não o contrário, como muita gente fala por aí. Aléms dos Magos, temos sempre um papo aqui e um papo ali sobre os Ancestres, mas esses ainda continuam sendo um mistério impenetrável até o momento. Espero descobrir mais nos próximos livros!

Mas a grande parte desse livro foca em algo que os leitores estavam procurando saber há muito tempo: o relacionamento entre Locke e Sabeta. O autor Scott Lynch havia dado poucas pistas sobre a garota dos sonhos de Locke nos dois livros anteriores, apenas reforçava que ele não conseguia parar de pensar nela um minuto sequer e que a relação entre ambos sempre foi um pouco... conturbada. Ainda mais quando se descobre que ela era/é uma das poucas pessoas no mundo capaz de passar a perna no Nobre Vigarista e criar armadilhas tão criativas quanto Locke.

E é aproveitando-se disso que os Magos-Servidores do partido da Íris Negra, concorrente do Raízes Profundas, contratam Sabeta para ajudá-los na eleição! Vocês podem imaginar o que vem por aí...

Em meio a trocas de farpas e tentativas (ou não) de uns amassos aqui e ali, os dois entram em uma briga ferrenha para saber quem dará ao partido contratante o sabor da vitória. Tudo enquanto os queridos Magos-Servidores estão à espreita por toda Kartane, acompanhando os seus movimentos.


Como de praxe, os interlúdios do livro se passam na infância de Locke e, consequentemente, no começo da gangue. Aqui não é diferente, apenas que o foco dessa vez é em como Sabeta entrou para os Nobres Vigaristas e como os outros se comportavam tendo uma guria entre eles. Uma guria que era mais inteligente que os demais. Uma guria que era capaz de deixar Locke Lamora para trás desde o tempo em que viviam no Morro das Sombras, sob ordens do Aliciador. Foi lá que Locke encontrou Sabeta pela primeira vez e aquela atração toda pela ruiva começou.

Esses interlúdios, por sinal, para mim foram a melhor parte da obra até a metade da leitura, quando os Vigaristas precisam realizar uma missão em outro lugar e o ritmo cai levemente. Mesmo assim, as informações contidas neles são essenciais para se entender o motivo de Sabeta ter deixado os Nobres Vigaristas logo após a morte do Correntes e estar sumida por uns bons anos.

Uma das mudanças desse 3º livro para os demais é que, entre os capítulos "normais" e os interlúdios, temos a presença de interseções, mini-capítulos contados a partir de um ponto de vista muito peculiar, um personagem bem conhecido dos Vigaristas e que promete aparecer mais uma vez...

Aliás, só para constatar que, em matéria de humor e sarcasmo, os campeões disparados desse quesito em República de Ladrões foram Calo e Galdo Sanza. Os irmãos gêmeos deram um show à parte em toda a obra. Sugiro que vocês leiam o trecho a seguir como se estivessem cantando:

Calo mordeu o interior da bochecha, afinou de novo a harpa e recomeçou:

“Disse o patrão à donzela nova na herdade:
Deixe-me mostrar os animais da propriedade!
Aqui está a vaca que dá leite e o porco no chiqueiro
Aqui está o cachorro, uma cabra e um cordeiro;
Aqui está um cavalo orgulhoso e um falcão treinado e valente,
Mas o que você deve ver mesmo é este pinto excelente!”

- Onde você aprendeu isso?! – gritou Correntes.
Calo explodiu num ataque de riso, mas Galdo continuou a canção com uma expressão impassível:

“Alguns pintos acordam cedo e alguns crescem bastante,
Mas o pinto em questão trabalha mais que o restante!
Trabalhar é uma virtude, eu concordo e não minto.
E então, queridinha, venha segurar o meu...”

Explicando um pouco o porquê do nome do livro, além do seu significado óbvio para quem já lê a série, República de Ladrões refere-se à uma peça de teatro que os Nobres Vigaristas devem apresentar juntamente com outros membros de uma companhia fadada ao fracasso. Essa parte me rendeu algumas boas risadas e leves momentos de tensão.

República de Ladrões consegue manter um bom nível, mas acaba não sendo melhor que os dois livros anteriores. A fórmula usada por Scott Lynch nos seus livros continua boa e os mesmos devem (!) obrigatoriamente ser desbravados por todo aquele que é fã dessa série. Recomendo!

Ah, só mais uma coisinha, pra deixar todos vocês com aquele leve gostinho de quero mais: 

"- Vou lhe dar uma pequena profecia, Locke Lamora, do melhor modo que eu a vi. Três coisas você deve tomar e três coisas você deve perder antes de morrer: uma chave, uma coroa e uma criança. - Paciência puxou o capuz para cima da cabeça. - Você vai morrer quando cair uma chuva de prata."

Fui, tchau!

Avaliação final:

Nobres Vigaristas:

2º livro - Mares de Sangue
3º livro - República de Ladrões
4º livro - The Thorn of Emberlain (ainda não foi lançado)
5º livro - The Ministry of Necessity (ainda não foi lançado)
6º livro - The Mage and the Master Spy (ainda não foi lançado)
7º livro - Inherit the Night (ainda não foi lançado)
Livro extra com dois contos - The Bastards and the Knives (ainda não foi lançado)

8 de mai de 2015

Resenha: Pequenos Deuses - Terry Pratchett


Título: Pequenos Deuses
Original: Small Gods
Série: Discworld #13
Autor: Terry Pratchett
Páginas: 308
Editora: Bertrand (março de 2015)

Sinopse: Religião é um assunto controverso em Discworld. Todo mundo tem sua própria opinião e até seus próprios deuses, que podem ser de todas as formas e tamanhos. Nesse ambiente tão competitivo, as divindades precisam marcar presença. E a melhor maneira de fazer isso certamente não é assumindo a forma de uma tartaruga. Nessas situações, você precisa, e rápido, de um assistente. De preferência alguém que não faça muitas perguntas...

Sempre ouvia as pessoas falando muito bem da série Discworld, do renomado autor Terry Pratchett, e graças à editora Bertrand finalmente tive a chance de desbravar um livro dessa série (obrigado por cederem um exemplar de Pequenos Deuses). Como vocês devem ter visto por aí, Terry Pratchett faleceu recentemente, mais precisamente no dia 12 de março de 2015, o que foi um baque para todos os fãs de fantasia que admiravam o autor. Como forma de homenageá-lo e divulgar o trabalho da sua vida, trago para vocês a resenha de Pequenos Deuses, 13º livro de Discworld.

Já imaginaram que, de alguma maneira, pode existir uma maneira de seu Deus (ou deuses) se manifestar no lugar em que você vive? E se ele, pensando em descer do seu lugar sagrado na imponente forma de um touro, resolve aparecer e descobre que na verdade é uma mera tartaruga caolha? Como fazer com que todos os seus seguidores acreditem em você?

É com esse estilo ricamente engraçado e irreverente que Terry Pratchett parece ter conquistado a grande maioria dos seus leitores. Devo dizer que sou um desses novos leitores agora.

Somos apresentados a Brutha, um noviço da igreja omniana, cuja entidade superior é o Grande Deus Om, a tartaruga mencionada anteriormente. Munido de imensa ingenuidade e uma capacidade incrível de memória, Brutha simplesmente cuida de uma horta e certo dia avista uma tartaruga por lá. Uma tartaruga que fala com o noviço. Um deus na forma de uma tartaruga.

Considere agora a tartaruga e a águia.

A tartaruga é uma criatura que vive no solo. É impossível viver mais perto do solo sem estar debaixo dele. Seu horizonte fica a meros centímetros de distância. Ela atinge toda a velocidade necessária para caçar uma alface. Para sobreviver, enquanto o restante da evolução a ultrapassava, bastou não representar ameaça a ninguém e dar muito trabalho para ser comida.

Eu dou risada quando penso nisso, é tudo simplesmente muito engraçado! ahuahuhauhua

A partir daí vemos a dupla entrando em uma enrascada das grandes. Brutha não acredita que o seu deus seja aquela tartaruga e Om não entende por que o noviço pensa assim. Afinal, o Grande Deus Om possui milhares de seguidores em toda Discworld. Ou seria Brutha o único deles?

O problema em ser um deus é que não se tem ninguém para quem orar. - Om

Não bastasse essa desconfiança inicial entre os dois, Brutha acaba envolvido em uma conspiração que pode e certamente resultará em uma tremenda guerra santa, ainda mais quando a frase "A Tartaruga se Move" começa a ser espalhada por aí. Muitos afirmam que o mundo não é uma esfera, mas sim uma tartaruga nadando pelo universo com quatro elefantes apoiados no seu casco, sendo que esses sustentam toda Discworld em uma forma plana, como se fosse um disco. Uma calúnia? Talvez, se não fosse pelo fato disso simplesmente ser real.

Pensem bem na genialidade do autor ao criar um mundo dessa maneira. Nunca vi algo assim antes!


Em determinado momento somos apresentados a Vorbis, o exquisidor da Quisição (sim, é assim mesmo que se escreve no livro), um homem capaz de mudar a mente de qualquer pessoa para pior. Sua capacidade de persuasão é imensa, sendo que todos temem esse homem quando passam perto dele. É o cara a ser temido! Um homem com a mente corrompida, que não acredita na Tartaruga que se Move e fará de tudo para eliminar qualquer um que pense em proferir tal blasfêmia.

Além disso, o cara é tão desprovido de emoções que é simplesmente capaz de virar uma tartaruga de cabeça para baixo e deixá-la sozinha no local, agonizando e implorando por ajuda. Que tipo de ser humano faria isso com o pobre animal, ainda mais ele sendo um deus?


Gostei bastante desse livro. Não está no meu TOP TOP de leituras, mas a narrativa é tão fluida e dinâmica que fica difícil largá-lo. A todo momento vemos piadas e referências a situações cotidianas da nossa vida, sempre colocadas de um modo que se encaixa na trama. O ponto principal pareceu ser a tentativa de uma pessoa/deus em se firmar numa posição ou local que lhe convenha, como é o caso de Om na busca por respostas, principalmente em como virou uma tartaruga e ficou assim por mais de três anos.

Qualquer deus poderia começar pequeno. Qualquer deus poderia crescer em estatura quando seus fieís aumentassem. E decrescer à medida que diminuíssem. Era como um grande jogo de escadas e serpentes. 
Deuses gostavam de jogos, desde que estivessem ganhando.

Os acontecimentos finais da obra são bem interessantes e alguns até meio imprevisíveis, principalmente a relação entre Vorbis e Brutha. Duas mentes diferentes podem caminhar para o mesmo destino às vezes, e aqui isso (talvez) irá acontecer.

Trabalhando bastante com referências a filósofos e religiões diversas, Pratchett mistura muito humor e ironia nesse livro, fazendo com que o leitor fique frequentemente se perdendo se as coisas em que acredita são reais mesmo ou apenas uma mera forma de enganar os outros.
O medo é uma terra estranha. Nele, a obediência cresce como milho, em fileiras que facilitam a colheita. Mas, às vezes, nele crescem as batatas do desafio, que florescem no subsolo.

Repleto de diálogos extremamente bem-humorados e personagens muito cativantes, Pequenos Deuses é leitura obrigatória para quem quer dar muitas risadas e pensar nas coisas de uma maneira alternativa. Recomendadíssimo para todos os amantes da fantasia!

Avaliação final:

Discworld:

1º livro - A Cor da Magia
2º livro - A Luz Fantástica
3º livro - Direitos Iguais, Rituais Iguais
4º livro - O Aprendiz de Morte
5º livro - O Oitavo Mago
6º livro - Estranhas Irmãs
7º livro - Pirâmides
8º livro - Guardas! Guardas!
9º livro - Fausto Eric
10º livro - A Magia de Holy Wood
11º livro - O Senhor da Foice
12º livro - Quando as Bruxas Viajam
13º livro - Pequenos Deuses
14º livro - Lords and Ladies
15º livro - Men at Arms
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