28 de out de 2015

Resenha: Os Senhores dos Dinossauros - Victor Milán

Título: Os Senhores dos Dinossauros
Original: The Dinosaur Lords
Série: Os Senhores dos Dinossauros/The Dinosaur Lords #1
Autor: Victor Milán
Páginas: 480
Editora: DarkSide Books (setembro de 2015)

Sinopse: Em “Os Senhores dos Dinossauros”, Victor Milán consegue materializar um sonho que milhares de leitores compartilham secretamente desde a infância: cavalgar os gigantes répteis pré-históricos, como o terrível Tiranossauro Rex. O romance se passa no Império da Nuevaropa, um continente claramente inspirado na Europa do século XIV. Cultura e costumes, religião, conflitos políticos, tecnologia e armamento são compatíveis com o último período da Idade Média. Mas neste mundo, construído pelos Oito Criadores, os dinossauros também fazem parte do arsenal de guerra. Os Senhores dos Dinossauros é o primeiro livro de uma Trilogia desenvolvida por Victor Milán, autor de mais de 100 romances de ficção científica e fantasia. Ele também é um dos fundadores e coescritores do projeto Wild Cards, de Melinda M. Snodgrass e George R. R. Martin. O autor de Guerra dos Tronos, amigo pessoal de Milan, define o que os leitores podem esperar de Os Senhores dos Dinossauros: “É como um encontro de Jurassic Park com Game of Thrones.”

Um dos lançamentos mais aguardados do ano de 2015 no Brasil e mundo afora, Os Senhores dos Dinossauros chegou até nós pelas mãos da editora DarkSide Books no mês de setembro de 2015.

O livro nos apresenta diversos personagens e um prólogo, no mínimo, estranho à primeira vista. Um garoto pastoreia um "rebanho" de dinossauros enquanto um mítico Anjo Cinza aparece e diz para ele esquecer que o viu, apenas "lembre-se quando for convocado a se lembrar". Desmaiando logo em seguida e acordando um pouco depois, o garoto percebe que seu rebanho está disperso e que o tal Anjo sumiu. Será que a visão era real? O que são esses Anjos Cinzas? Ao longo da obra temos algumas pistas, mas gostaria de ter visto mais sobre eles, é o que posso adiantar a vocês.

Logo após, no capítulo 1, a ação realmente começa. Somos jogados em meio à uma batalha entre os Príncipes Rebeldes e os mercenários contratados pelo famoso imperador Felipe Delgao. Imaginamos pela 1ª vez os temidos dinossauros sendo usados como montaria de combate e responsáveis por mudar o destino da batalha, onde nos vemos envolvidos em uma conspiração que parece ter matado um dos maiores senhores de dinossauros que existem, o voyvod Karyl Bogomirskiy, comandante mercenário da Legião do Rio Branco. Também conhecemos Jaume Llobregat, o Conde das Flores, duque Falk von Hornberg e seu tiranossauro rex albino Floco de Neve, e por fim o plebeu Rob Korrigan, que é também um menestrel e um senhor dos dinossauros.

“Guerras começam quando você quer, mas não acabam quando você deseja.”

Confesso que essa ideia de iniciar o livro já dentro de uma batalha parece sempre interessante e corajosa, mas aqui ela ficou meio confusa e só depois de umas 50 páginas deu pra entender o que realmente tinha acontecido e o que estava por vir. Isso acabou deixando o ritmo do livro meio "quebrado", eu não conseguiu me situar tão bem nos fatos e só após vários capítulos a leitura começou a ficar mais agradável/atrativa e o leitor é inserido aos poucos nas tramas da corte.

Jaume é o Capitão General da Ordem dos Companheiros de Nossa Senhora do Espelho, o típico cavaleiro dos sonhos, honesto e honrado, sempre preocupado com os seus subordinados e as pessoas ao seu redor. Algumas cenas de combate em que ele aparece são muito boas, então fique de olho.
Gostei de algumas coisas nesse livro, principalmente as partes em que Karyl e Rob estão juntos, que costumam ser as mais engraçadas, mas não curti tanto as intrigas da corte, com a princesa Melodía, filha do imperador Felipe, sendo a personagem principal na maioria dos capítulos, uma guria viciada em sexo (ela e todas suas amigas, vou te contar...) e que tenta frear um pouco as ações do pai, que parece estar se envolvendo em grandes problemas. Muita coisa acabou ficando em aberto ao término do livro, e eu acho que umas 30-50 páginas a mais teriam ajudado bastante mesmo.

Queria ter visto um pouquinho mais sobre os dinossauros também. Eles acabaram não sendo tão protagonistas como eu pensava, apesar de terem lá os seus momentos de grande importância.

Conforme avançamos na narrativa, já dá pra se ter uma ideia do que vai acontecer no final, o que acaba estragando um pouco a surpresa. Muita treta parece estar a caminho no 2º livro, então talvez eu o leia por que realmente não gosto de deixar uma série pelo caminho, sabendo que ela pode evoluir e melhorar bastante o que não foi tão bom nesse volume inicial.

Escrito em 3ª pessoa, destaco também que a linguagem utilizada pelo autor no livro é bem adulta, com algumas cenas chocantes e de teor mais forte. MUITOS dos personagens têm tendências bissexuais, o que não é tão comum assim de se ver na maioria dos livros desse gênero fantástico.

“O que sempre insisti”, Karyl prosseguiu, “foi em fazer o meu melhor e continuar fazendo até que seja, ao menos, competente. Há muito tempo aprendi que parar conquistarmos qualquer coisa, é preciso começar. Ou passar a eternidade esperando o momento certo. Que nunca chega.”

Um porém: a revisão ficou muito mal feita, com várias palavras erradas saltando aos olhos, e isso aconteceu muitas vezes durante a leitura. A tradução também ficou um pouco estranha, acredito que ler na versão original, em inglês, possa ser a melhor opção para quem se interessar pela obra. A edição em capa dura, ao contrário, ficou extremamente bonita, com várias ilustrações internas. Só senti a falta de um mapa que estava na versão original e a DarkSide acabou não colocando.

Enfim, esse 1º volume da série não me agradou tanto quanto eu gostaria, mas o autor deixou algumas pontas soltas durante a narrativa e eu imagino que elas sejam bem/melhor exploradas no livro seguinte, intitulado The Dinosaur Knights, que deve ser lançado internacionalmente em 2016.

Avaliação final:

Os Senhores dos Dinossauros:

1º livro - Os Senhores dos Dinossauros
2º livro - The Dinosaur Knights (lançamento em 2016)
3º livro - The Dinosaur Princess (título a ser confirmado)

17 de out de 2015

Resenha: Guerreiros da Tempestade - Bernard Cornwell

Título: Guerreiros da Tempestade
Original: Warriors of the Storm
Série: Crônicas Saxônicas/Saxon Stories #9
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 350
Editora: Record (8 de agosto de 2016)

Sinopse: Filhos do falecido rei Alfredo, Eduardo e Æthelflaed já dominam a maior parte do território saxão. Seus exércitos conquistam e garantem a soberania por onde passam. Mas isso não impede que os incansáveis nórdicos realizem constantes ataques aos seus reinos. Uhtred de Bebbanburg comanda a guarnição do burh de Ceaster, uma poderosa fortaleza no norte da Mércia construída pelos romanos. O poder da senhora Æthelflaed na região se expande, o que atrai olhos cobiçosos. Ragnall, o Cruel, reúne forças irlandesas e nórdicas no maior exército que jamais ameaçou o universo saxão. Com isso, a solução de Æthelflaed é colocar suas forças no interior de Ceaster para resistir aos ataques inimigos. Porém, quem será capaz de manter Uhtred entre as paredes de um burh quando sua filha, casada com Sigtryggr, irmão e inimigo de Ragnall, é colocada em perigo? Na luta entre deveres familiares e lealdade aos seus guerreiros, entre ambições pessoais e compromissos políticos, não há um caminho fácil. Mas um homem com a coragem de um verdadeiro guerreiro é capaz de trilhá-lo. Este homem é Uhtred, e este momento é decisivo para seu destino.

Essa resenha contém spoilers dos livros anteriores.

Como já é de praxe, no momento em que o autor Bernard Cornwell lança um livro novo das Crônicas Saxônicas/Saxon Stories eu já vou correndo atrás e tento ler o mais cedo possível, já que essa é minha série favorita e Uhtred de Bebbanburg é o personagem que mais gosto. O único problema depois disso tudo é ter que esperar mais um ano pela sequência, mas faz parte. hahaha

Depois de defender a fortaleza de Ceaster contra os ataques dos noruegueses liderados por Sigtryggr no final do volume anterior (O Trono Vazio), Uhtred e seus guerreiros têm uma nova ameaça à frente: o irmão de Sigtryggr, Ragnall Ivarson, um viking poderoso e que comanda única e simplesmente pelo medo (Kjartan 2), pronto para saquear as terras da Mércia e atrapalhar o sonho do já falecido Alfredo de juntar os reinos existentes e formar a Inglaterra que ele tanto queria.

Drakkar at night, by joaomachay
“Ragnall Ivarson. Eu nunca me encontrei com ele, mas eu o conhecia. Sabia de sua reputação. Nenhum homem navegava melhor um navio, nenhum homem lutava mais ferozmente, nenhum homem causava mais terror. Ele era um selvagem, um pirata, um rei de lugar nenhum.”

Velhos conhecidos aparecem e temos alguns dos seus destinos selados. Pessoas que eu nem lembrava direito onde estavam e o que faziam, mas que entraram no caminho de Uhtred por bem ou por mal e o nosso saxão terá negócios para resolver. Negócios sangrentos, digamos assim.

As descrições das paredes de escudos estão fenomenais, como sempre, e foi exatamente nesse quesito tão importante que o autor apostou para retomar a excelente narrativa do 7º livro, O Guerreiro Pagão. Narrativa essa que acabou se perdendo um pouquinho no seguinte, que acabou não sendo um dos melhores volumes da série. Warriors of the Storm não tem esse problema e os leitores podem ficar tranquilos quanto a isso, já que a carnificina rola solta e desenfreada por aqui.

Schiltrom, por xenos60
“Trinta passos, vinte, e você pode ver os olhos dos homens que tentarão te matar, e ver as pontas das lanças, e o instinto te diz para parar, apertar os escudos. Nós nos contraímos durante a batalha, o medo enterra suas garras em nós, o tempo parece parar, há silêncio mesmo que milhares de homens gritem, e naquele momento, quando o terror ataca o coração como uma besta enjaulada, nós devemos nos jogar para dentro daquele horror. Porque o inimigo sente o mesmo. E você veio matá-lo. Você é o demônio dos seus pesadelos."

Tive algumas sensações nostálgicas durante a leitura, relembrando bastante do Uhtred lá dos 2-3 primeiros livros, que desobedecia todo mundo e fazia o que bem entendia. Dessa vez, novas ordens não são cumpridas e elas acabam trazendo algumas consequências. Tudo pela família, diga-se de passagem. Só que dessa vez Uhtred é um senhor da guerra, experiente, com reputação a mente, com pessoas a seu serviço e que dependem da sua palavra, e qualquer ameaça à sua família, por menor que seja, é considerada um ultraje sem precedentes e não deve jamais ser ignorada.

“Eu o faria gritar e assistiria enquanto sangrava, cortaria sua carne fresca em pedaços antes de me preocupar com Æthelflaed. Isso era pela família. Isso era por vingança.”

Outro que é sempre bom ver por perto é Finan, que Uhtred conheceu há muito tempo no período em que era escravo. O irlandês é um lutador exímio e deixará sua marca em combates singulares.

Um dos pontos importantes a se destacar é a grande evolução de Uhtred ao longo de toda a série. Agora mais velho, com quase 60 anos, ele não tem o mesmo físico de antes e não tem como ser o primeiro cara a pular uma muralha, é mais lento que muitos dos seus adversários, mas compensa os seus defeitos com a sua experiência de anos na primeira linha das paredes de escudos dos saxões.

Uhtred, por Yago Oliveira

Muitos por aí dizem que ele é apenas um personagem com a profundidade de uma poça d’água, mas enganam-se ao não notar que as suas preocupações ao longo dos livros mudam constantemente, além de ter sempre aquela questão de gostar mais dos dinamarqueses do que dos próprios saxões.

As piadinhas com os padres continuam e são sempre hilárias, disso o leitor jamais poderá reclamar.

“Você é cristão?”     “Mas é claro!”     “Você acredita em milagres?” eu perguntei, e ele concordou. “Então é melhor você pegar os seus cinco pães e dois peixes,” continuei, “e rezar para que o seu deus miserável providencie o resto.”

Repleto daquele humor irreverente e das batalhas que tanto amamos ver nos livros de Bernard Cornwell, Warriors of the Storm é leitura obrigatória para todos os fãs das Crônicas Saxônicas e deve ser feita o quanto antes. O destino é inexorável, diriam alguns, e Uhtred parece estar se aproximando cada vez mais de Bebbanburg, a fortaleza na Nortúmbria que é sua por direito.

A edição brasileira do nono livro da série só deve chegar ao Brasil no 2º semestre de 2016, mas até lá temos o seriado baseado na série e que a BBC está produzindo. Intitulado The Last Kingdom, iniciou-se em 10 de outubro. Recomendo fortemente que todos vocês assistam o quanto antes!

Avaliação final:

Crônicas Saxônicas:

1º livro - O Último Reino
5º livro - Terra em Chamas
6º livro - Morte dos Reis
7º livro - O Guerreiro Pagão
8º livro - O Trono Vazio
9º livro - Guerreiros da Tempestade
10º livro - The Flame Bearer
...

3 de out de 2015

Resenha: Os Ossos das Colinas - Conn Iggulden

Título: Os Ossos das Colinas
Original: Bones of the Hills
Série: O Conquistador/Conqueror #3
Autor: Conn Iggulden
Páginas: 490
Editora: Record (2010)

Sinopse: Gêngis Khan é o poderoso líder de uma nação fruto da união de diversas tribos e guerreiro vitorioso na longa campanha contra os jin. Agora o inimigo surge do oeste: suas caravanas são expulsas e seus homens, mortos ou mutilados. Assim, Gêngis e seus exércitos, liderados por seus filhos e irmãos e outros generais de confiança, embarcam em uma grande viagem através dos atuais Irã e Iraque e pela costa do Mediterrâneo. Conquistando cidade após cidade, um império após o outro, por meio da guerra, do medo e da persuasão, o poder mongol domina toda a região. O grande cã ergueu um império maior do que qualquer outro já visto. Durante essas campanhas, seus filhos e irmãos disputavam o favoritismo, o direito de liderar o mais bem-sucedido exército e de realizar as maiores conquistas, para ser escolhido como sucessor. Gêngis já provou ser um grande guerreiro. Agora, seu desafio é mostrar-se um governante e líder excepcional para seu povo, alguém que possa coordenar a transição de poder sem sobressaltos. Das terras férteis dos jin até as áridas rochas do Afeganistão, Iggulden tece um épico sobre o conquistador mais enigmático da história, aqueles que o temiam, aqueles que o desafiaram e aqueles cujos ossos deixou para trás. Os Ossos das Colinas é o terceiro volume de O Conquistador, série que reconstrói a saga de Gêngis Khan e de seus descendentes.

Essa resenha contém alguns spoilers do final desse livro e também dos livros anteriores.

Após devastar boa parte do território chinês, Genghis Khan mira suas atenções mais ao sul e ao oeste, onde a maioria dos povos islâmicos/muçulmanos estão. Tudo começou com a morte de patrulheiros enviados por Genghis a terras distantes. Com a sua morte, o líder mongol não pode deixar essa ameaça de lado e precisará reunir todas as forças para marchar contra o novo inimigo.

Importante situar o leitor de que esse 3º volume de O Conquistador se inicia três anos após o 2º, quando Genghis envia seus vários generais a várias direções para que conquistem novos lugares.

Essa situação é perfeita para entendermos um pouquinho mais da mente daquele que é considerado o maior conquistador de toda a História: não é permitido ameaçá-lo e esperar sair impune, como foi visto no 2º livro, quando o imperador chinês quebra um acordo com os mongóis e fogem, deixando a sua fortaleza para trás, só para que Genghis e seus guerreiros a queimassem até o chão.

— Eu vim a estas terras porque, quando um homem me ameaça e eu desvio o olhar, ele tirou algo importante de mim. Se eu lutar e morrer, tudo que ele pode tomar é minha vida. Minha coragem e minha dignidade permanecem. Devo fazer menos pela nação que criei? Devo permitir a meu povo menos honra do que reivindico para mim?

Uma das grandes diferenças dessa obra para as demais é que os filhos do grande khan estão crescendo e começando a assumir funções importantes dentro do exército mongol, como o comando das tumans, formações com 10.000 mongóis. E, com esse crescimento, voltam à tona as brigas por poder. Jochi pode não ser filho de Genghis e sim de um estupro que a sua esposa sofreu na infância, e isso reflete diretamente no modo como Genghis o trata e na relação de Jochi com Chagatai, o filho seguinte do khan. Preparem-se para ler sobre momentos bem intensos envolvendo esses dois.

O choque cultural apresentado em Os Ossos das Colinas também merece ser notado, visto que diversas regiões são invadidas durante o período, como a Rússia, Afeganistão, Irã, etc. E, com isso, novas táticas de batalha também são apresentadas. Ao longo de suas campanhas, Genghis reuniu engenheiros das mais variadas nacionalidades que começaram a construir armas de cerco, já que as planícies frias da terra natal dos mongóis ficaram para trás, dando lugar às altas fortalezas dos novos povos. Achei interessante ter todos esses elementos inseridos na narrativa, já que o próprio Genghis assume em alguns momentos que a importância dessas armas de cerco foi tamanha que ele até aproveitava as semanas e os meses em que estava diante de uma fortaleza, apenas esperando que os seus habitantes se rendessem devido à fome, à sede e doenças que os acometiam lá dentro.

— Quando eu tiver morrido, não quero que os homens digam: "Vejam quanta riqueza a dele, suas cidades, seus palácios e suas roupas finas." — Gêngis fez uma pausa. — Em vez disso, quero que digam: "Certifiquem-se de que ele morreu mesmo. É um velho maligno que conquistou metade do mundo." — Ele deu um risinho, e parte da tensão se esvaiu do grupo. — Não estamos aqui para ganhar riquezas com um arco. O lobo não pensa em coisas finas, só quer que sua matilha esteja forte e que nenhum outro lobo ouse atravessar seu caminho. Isso basta.

Não posso esquecer de mencionar alguns nomes entre as fileiras do grande khan, como Tsubodai e Jebe, homens que foram crescendo aos poucos dentro do contingente mongol e se tornaram os "cães de caça" de Genghis, ao lado também dos seus irmãos Khasar e Kachiun, que mantém uma relação forte desde a infância, quando estiveram perto da morte e até tiveram que matar um dos irmãos para sobreviver, história essa que foi contada no excelente 1º livro da série, O Lobo das Planícies.

Uma das curiosidades introduzidas aqui são os assassinos, uma seita de matadores experientes contratada pelo povo muçulmano para tentar acabar com a ameaça dos mongóis na sua terra.

Narrado em 3ª pessoa, com mudanças constante de pontos de vista, a narrativa flui como os cavalos mongóis em uma planície, agradável de se ler e com elementos do cenário sempre ali presentes.

Enfim, também preciso dizer que esse volume fecha um "ciclo", digamos assim, nos livros da série. O comando precisa ser passado adiante, como sempre aconteceu em todas as nações guerreiras. Eu temia muito (!) pelo momento em que a morte de Genghis Khan chegaria, assim como todos os leitores e fãs dessa série, mesmo que os seus minutos finais estejam cercados de diversas especulações e incertezas, que vão desde a causa da sua morte até quem teria sido o responsável.

— Todos homens morrem — continuou Jelme, ignorando a explosão. — Pode ser esta noite, no ano que vem ou dentro de quarenta anos, quando você estiver desdentado e fraco. Tudo que você pode fazer é escolher como se portar quando ela chegar.

Até os tempos atuais podemos encontrar descendentes de Genghis Khan entre o povo mongol, e uma das nossas maneiras de reverenciá-lo é lendo essa obra fantástica do Conn Iggulden o quanto antes.

Por fim, só me resta recomendar esses livros a todos aqueles que são amantes de ficção histórica!

Avaliação final:

O Conquistador:

2º livro - Os Senhores do Arco
3º livro - Os Ossos das Colinas
4º livro - Império da Prata
5º livro - Conquistador

Resenha: Perdido em Marte - Andy Weir

Titulo: Perdido em Marte
Original: The Martian
Autor: Andy Weir
Páginas: 336
Editora: Arqueiro (Outubro de 2014) 

Sinopse: Há seis dias, o astronauta Mark Watney se tornou a décima sétima pessoa a pisar em Marte. E, provavelmente, será a primeira a morrer no planeta vermelho. Depois de uma forte tempestade de areia, a missão Ares 3 é abortada e a tripulação vai embora, certa de que Mark morreu em um terrível acidente. Ao despertar, ele se vê completamente sozinho, ferido e sem ter como avisar às pessoas na Terra que está vivo. E, mesmo que conseguisse se comunicar, seus mantimentos terminariam anos antes da chegada de um possível resgate. Ainda assim, Mark não está disposto a desistir. Munido de nada além de curiosidade e de suas habilidades de engenheiro e botânico e um senso de humor inabalável, ele embarca numa luta obstinada pela sobrevivência. Para isso, será o primeiro homem a plantar batatas em Marte e, usando uma genial mistura de cálculos e fita adesiva, vai elaborar um plano para entrar em contato com a Nasa e, quem sabe, sair vivo de lá. Com um forte embasamento científico real e moderno, Perdido em Marte é um suspense memorável e divertido, alavancado por uma trama que não para de surpreender o leitor. 

Essa resenha foi feita pelo colaborador Kaue Souza.

Pela sinopse de Perdido em Marte, a ideia que se cria é a de que o livro se desenvolve em cima do "como acontece", e não o mais habitual "o que acontece". Ao fim, tudo se desenrola de uma forma lenta, a ponto de não fazer diferença, sendo essa uma das grandes falhas na construção  da obra.

A maior parte do livro é narrada em primeira pessoa pelo diário de bordo de Watney. Por lá, acompanhamos sua rotina em Marte, onde ele descreve detalhadamente como sobrevive, improvisa alimentos, máquinas e desenvolve planos para se  manter vivo em  Marte. Devido à ideia inicial dada pela sinopse, o final não parece distante, mas apenas um mistério. A dúvida de como o livro irá acabar - já que todas as 336 páginas de  Perdido em Marte parecem desnecessárias para a proposta da obra - a cada capítulo fica  mais óbvia. As mesmas paginas poderiam ter trechos cortados e reduzidos, pois ocupam boa parte só para desenvolver cálculos e teses feitos pelo Mark. A Nasa mesmo se mostrou um mistério - ocupou um espaço tão grande com tantas informações que ao final era só algo a mais e não a protagonista tão esperada no clímax final.

O Mark como personagem não consegue convencer o leitor de seus medos, problemas e dilemas em que se envolve, tudo é fácil, e a proximidade da morte não modifica isso. O humor criado pelo autor acaba funcionando como alívio cômico nas cenas de tensão, e rir da falta de sorte do personagem é inusitado. Em alguns momentos, a impressão é de que tudo foi incluído como forma de diminuir o cansaço causado por tanta informação que o autor inseriu para torná-lo mais real.


Andy é um autor inteligente e escreve de uma forma que manipula os sentimentos e a expectativa do leitor. Na obra toda é possível perceber ideias já usadas no cinema que da a impressão que o livro todo foi escrito como um pré-roteiro para ser adaptado. O desfecho pode até empolgar, mas não sai da obviedade. E a sensação, após o fim de todas as 336 páginas, é saber que, caso leia-se novamente, o impacto não será o mesmo e não ficaram pontas soltas pro futuro.
 

Avaliação final:
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