19 de fev de 2017

Resenha: O Poderoso Chefão - Mario Puzo

Título: O Poderoso Chefão
Original: The Godfather
Autor: Mario Puzo
Páginas: 518
Editora: Record (2013)

Sinopse: O submundo da Máfia e o talento literário de Mario Puzo ganharam notoriedade com a publicação de O Poderoso Chefão. O carisma de Don Vito Corleone encanta na mais perfeita reconstituição da vida e dos negócios das famílias mafiosas de Nova York. Apesar de implacável, Don Vito é, essencialmente, um homem justo. Padrinho benevolente, nada recusa aos seus afilhados: conselho, dinheiro, vingança e até mesmo a morte de alguém. Em troca, o poderoso chefão pede apenas o respeito e a amizade de seus protegidos. Mas ninguém pode vencer as trapaças da idade. Quando seus inimigos atacarem juntos e tudo que a família Corleone significa estiver por um fio, o velho Corleone terá de escolher, entre seus filhos,um sucessor à altura. Um mundo de intrigas e decisões cruéis habilmente construído por Mario Puzo.

Finalmente tive a chance de ler a aclamada obra do autor Mario Puzo. E nunca me arrependerei.

Logo no primeiro capítulo somos apresentados ao homem que dá vida ao título do livro. Don Vito Corleone é O Padrinho, o negociador, o estrategista, a mente por trás da vinda da família Corleone à América depois de complicações na Sicília, uma ilha italiana dominada pela Máfia na primeira metade do século XX. Durante o casamento de sua filha Connie, percebemos de cara a influência que o Don tem no meio da sociedade. Ele não cobra nada quando seus "afilhados" vêm em busca de favores, apenas pede a sua amizade e que estejam à sua disposição quando precisar. Uma oferta irrecusável, uma lição que todos os leitores irão aprender, invariavelmente, durante a narrativa.

"O próprio Don Corleone não estava zangado. Aprendera havia muito tempo que a sociedade impõe afrontas que devem ser suportadas, confortadas pelo conhecimento de que neste mundo chega o momento em que o mais humilde dos homens, se conservar os olhos abertos, pode vingar-se do mais poderoso."

Quando os inimigos da família Corleone decidem tomar uma atitude drástica, o futuro do império do Don fica ameaçado. Será que algum dos seus filhos será capaz de assumir o seu lugar quando for necessário? Os três herdeiros Sonny, Freddie e Michael têm personalidades completamente distintas e que lhes favorecem em algumas situações, ao mesmo tempo em que podem ser fatais em outras.

Os ensinamentos de Don Vito Corleone estão presentes em todos os momentos, e esse é um cara que merece o respeito que tem, conquistado com trabalho duro e muita inteligência na hora de fechar negócios e proteger a sua família. Aliás, pensando no lado familiar, eu como descendente de italianos por parte de pai e mãe, fica impossível não gostar desse mito. Que homem, meus amigos!


Os pontos de vista apresentados na história são bem variados, com personagens de características próprias e vidas que acabam conectadas à do Padrinho, fazendo com que todos os capítulos sejam interessantes e tenham algo a mais para acrescentar. Nada está ali apenas por um mero acaso.

Anos após o lançamento de The Godfather e da sua obra ser bem recebida pela crítica, o autor Mario Puzo foi acusado de ser um membro da Máfia, tamanha a veracidade das informações contidas no seu livro. O retrato de como viviam as famílias da máfia italiana em Nova York foi tão bem feita que as pessoas começaram a desconfiar de um possível envolvimento do autor com os mafiosos. De um modo ou de outro, esse foi considerado um "prêmio" pela qualidade de sua escrita.

"Vários rapazes começavam trilhando uma trajetória para chegar ao seu verdadeiro destino. O tempo e a sorte geralmente os punham no caminho certo."

Aliás, o retrato da época é bem feito, com temas como racismo, abusos com a mulher e a pressão da sociedade em pauta da primeira à última página, além do preconceito dos mafiosos com alguns tipos de funções, como os advogados e os policiais, que só estariam ali para atrapalhar a sua vida.

O trabalho de pesquisa de Puzo foi fundamental para que a obra se perpetuasse até os dias de hoje.

Mesmo tendo sido lançado em 1969, não considerei a narrativa em 3ª pessoa de O Poderoso Chefão lenta em momento algum, muito ao contrário, parece até que Mario Puzo é aquele avô nosso que junta todos os netos para contar uma história de sua infância e das aventuras que teve o prazer de vivenciar. Tudo que um bom livro precisa está ali, só aguardando pelos olhos aguçados de um leitor.

Agora posso dizer, sem sombra de dúvidas, que esse livro entrou para a minha seleta lista de favoritos da vida inteira. A construção de Don Vito Corleone, sua trajetória da infância até o auge, a forma como ela é narrada, simplesmente incrível, digna de nota máxima nas minhas avaliações!

Eu lhe farei uma oferta que ele não poderá recusar.

Pensando um pouco sobre a tradução literal do título, de The Godfather para O Padrinho, acredito que a escolha brasileira de colocar O Poderoso Chefão foi acertada. A não ser que a qualidade da obra fosse intensamente divulgada, dificilmente eu, por exemplo, compraria um livro com um título simples como "O Padrinho". Não seria algo que me chamasse atenção nas livrarias. O escolhido pela editora Record ficou de acordo com a obra e correspondeu às expectativas, eu diria.

Já em relação à versão digital que eu li pelo Kindle, não tenho praticamente nada a reclamar, talvez um errinho mínimo aqui e ali que passou pela revisão, mas o resto está impecável.

Definitivamente um clássico 5 estrelas, recomendo demais MESMO, larguem tudo o que vocês estão fazendo/lendo no momento e partam para a leitura de O Poderoso Chefão! Qualidade garantida.

Avaliação final:

4 de fev de 2017

Resenha: A Ascensão da Sombra - Robert Jordan

Título: A Ascensão da Sombra
Original: The Shadow Rising
Série: A Roda do Tempo/The Wheel of Time #4
Autor: Robert Jordan
Páginas: 992
Editora: Intrínseca (agosto de 2015)

Sinopse: Os lacres de Shayol Ghul enfraquecem, e o Tenebroso avança. A sombra se ergue para encobrir definitivamente a humanidade. Em Tar Valon, Min tem visões de um destino terrível. Será o fim da Torre Branca? Em Dois Rios, os Mantos-brancos caçam o homem de olhos dourados e o Dragão Renascido. Em Cantorin, junto ao povo do mar, A Grã-lady Suroth vislumbra o retorno dos exércitos Seanchan ao continente. Enquanto na Pedra de Tear, o Lorde Dragão planeja seu próximo passo e ninguém será capaz de prevê-lo. Nem a Ajah Negra, os nobres tairenos ou as Aes Sedai, nem mesmo Egwene, Elayne e Nynaeve. Declarado o escolhido da antiga profecia, Rand al'Thor, o Dragão Renascido, precisa seguir em frente e cumprir seu destino: proteger o mundo do retorno do Tenebroso. Em A Ascensão da Sombra, Jordan imprime ainda mais suspense à série trazendo uma ameaça até então desconhecida à cidade de Tar Valon, lar das poderosas Aes Sedai. Mergulhados no perigo constante representado pelos Mantos-brancos, os Amigos das Trevas e os Trollocs, entre outros inimigos mortais, ninguém está seguro de qual rumo seguir. Movimentos profundos e inesperados que fazem de A Roda do Tempo uma das mais extraordinárias séries já escritas.

Essa resenha contém alguns spoilers dos livros anteriores.

Continuando com a minha relação de amor e ódio com A Roda do Tempo, resolvi desbravar A Ascensão da Sombra logo no começo de 2017, assim me liberando da minha "meta" de ler um livro da série por ano. Isso levará 14 anos, é claro, mas parece ser o melhor jeito de EU aproveitar o que ela tem a oferecer. A escrita do Robert Jordan é BEM enrolona em vários momentos, então eu normalmente revezo um livro dele com algum de outra série para balancear melhor as narrativas.

Focando no que interessa, nesse volume somos apresentados à Ajah Negra, um ramo das Aes Sedai que foi corrompido pela Sombra e deseja capturar o Dragão Renascido Rand al'Thor, que agora possui Callandor. Após a queda de Tear, Rand começa a assumir (finalmente) o papel que lhe pertence: ser a pessoa que salvará ou destruirá o mundo. Fiquei feliz em ver que o Rand parou de choramingar e resolveu tomar as rédeas da coisa. Os capítulos dele são os que mais gosto de ler.

— Ele só está tentando encontrar o próprio caminho. Homem nenhum gosta de correr às cegas sabendo que há um penhasco em algum ponto à frente.

Quando praticamente todos os protagonistas são obrigados a se separar, percebemos o nível da ameaça que assola o mundo. Forças das Sombras começam a atacar de todos os lados, seja em Dois Rios, seja lá no Deserto Aiel, seja lá na planície Taraboniana. A treta é muito real, meus amigos.

Army of the Shadows, by Gorgaidon

Ao que me pareceu, alguma conspiração Seanchan está a caminho. Ficarei de olho nas sequências.

Um dos ta'veren com mais destaque nesse livro é com certeza Perrin Aybara, agora chamado de "Olhos-Dourados" e alvo da perseguição dos Mantos-brancos. Ao saber que Trollocs e Desvanecidos estão perto de Dois Rios e ameaçando a sua família e as de seus amigos, ele decide sair um pouco de perto de Rand e procurar seu próprio destino. Numa jornada de auto-conhecimento e testando os seus limites, Perrin precisa assumir o posto de líder que lhe pertence e lidar com as consequências.

Já Rand começa a perceber as jogadas políticas que envolvem a sua caminhada. Ao contrário do anonimato da sua vida como pastor, agora ele atrai olhares por todos os lugares que passa, e nem todos são amistosos. Para seguir as profecias, precisa tornar-se Aquele Que Vem Com A Aurora e liderar o perigoso povo Aiel contra o Tenebroso. Será que todos os lutadores do Deserto o seguirão?

— Uma coisa é saber que a profecia um dia será cumprida — respondeu o chefe de clã, medindo as palavras — outra é ver isso acontecendo bem diante dos próprios olhos.
He Who Comes With The Dawn, by Webcomicfan

Mat também o acompanha nessa jornada e recebe um "presente" durante a visita deles à Rhuidean.

Egwene al'Vere, instruída por Sábias Aiel, começa outro treinamento, agora para se tornar uma Sonhadora, a primeira desde algumas centenas de anos. Suas jornadas pelo mundo dos sonhos a deixarão em contato com Nynaeve e Elayne, suas amigas, que junto de Thom Merrilim e Juilin Saidar, vão para Tanchico desvendar os planos das mulheres da Ajah Negra e tentar impedi-las.

A primeira metade do livro é bem "lenta", mas importante para entendermos o que acontece nos capítulos seguintes. Segredos do passado Aiel são revelados e não muito bem aceitos, assim como as teias tramadas pelos Abandonados começam a aparecer. Sua influência na sociedade aumenta, mesmo que imperceptível às vezes, e o resultado disso provavelmente veremos nos próximos 10 livros da série. Os momentos em que eles aparecem costumam ser os mais tensos da narrativa.

Em A Ascensão da Sombra conhecemos várias localidades que não haviam sido mostradas nos livros anteriores, e o "novo" é sempre intrigante. Que segredos e armadilhas cada lugar nos reserva?

As últimas 100-150 páginas do livro são bem frenéticas, e foram elas que me fizeram dar uma nota alta para essa obra. A história criada por Robert Jordan realmente começa a tomar proporções bem maiores a partir daqui, e eu certamente seguirei o Povo do Dragão para descobrir o que acontecerá.

Avaliação final:

A Roda do Tempo:

1º livro - O Olho do Mundo
2º livro - A Grande Caçada
3º livro - O Dragão Renascido
4º livro - A Ascensão da Sombra
5º livro - As Chamas do Paraíso
6º livro - Lord of Chaos
7º livro - A Crown of Swords
8º livro - The Path of Daggers
9º livro - Winter's Heart
10º livro - Crossroads of Twilight
11º livro - Knife of Dreams
12º livro - The Gathering Storm
13º livro - Towers of Midnight
14º livro - A Memory of Light
Livro extra - New Spring

31 de dez de 2016

Resenha: Esquadrão Rogue - Michael A. Stackpole

Título: Esquadrão Rogue
Original: Rogue Squadron
Série: X-Wing #1
Autor: Michael A. Stackpole
Páginas: 352
Editora: Aleph (novembro de 2016)

Sinopse: Dois anos e meio depois dos acontecimentos de O Retorno de Jedi, resquícios das forças imperiais, isoladas mas ainda poderosas, se espalham pela galáxia. Esses postos avançados ameaçam a paz ao tentar derrubar a Nova República e restabelecer uma tirania violenta e opressora do lado sombrio. Para combatê-los, surge uma nova geração de pilotos de X-wing. Seguindo os passos da equipe que destruiu a Estrela da Morte, os novos pilotos encaram um desafio ainda mais perigoso e desafiador que o de seus predecessores. Mas seu líder, o lendário piloto Wedge Antilles, sabe a dura verdade: mesmo sendo o melhor esquadrão da galáxia, as missões que os Rogues enfrentarão são praticamente suicidas. Em uma das melhores aventuras de STAR WARS, que inspirou games e quadrinhos estrelados pelo esquadrão, Michael A. Stackpole presenteia o leitor com conflitos pessoais, tramas políticas e batalhas espaciais impressionantes.

Star Wars é algo bem recente para mim, tanto é que fui COMEÇAR a assistir aos filmes nesse ano de 2016, e só a partir daí é que me atualizei com o episódio VII e Rogue One na semana passada.

Como não poderia ser diferente, viciei. E a vontade de ler algo do universo expandido aumentou, portanto decidi começar a ler Esquadrão Rogue, lançamento mais recente da editora Aleph.

Quase 3 anos após a destruição da segunda Estrela da Morte e das mortes de Darth Vader e do Imperador Palpatine, o enfraquecimento do Império é perceptível. Ao mesmo tempo, forças imperiais ainda existem e planejam mais contra-ataques para tirar a Nova República do poder.

"Inevitáveis como os impostos e lentos como a burocracia, eles vieram."

E é nessa hora que uma nova geração de pilotos de X-wing começa a ser treinada por nada mais nada menos que Wedge Antilles, sobrevivente das duas corridas contra as temidas Estrelas da Morte.

Biggs, Luke, Wedge e Wes

Acompanharemos principalmente a vida do tenente corelliano Corran Horn, que acaba se mostrando um excelente piloto, mas sem conseguir deixar para trás o seu passado meio obscuro. A princípio sua relação com os demais pilotos não é das melhores, mas os laços irão se estreitar um pouco ao longo das 352 páginas de Esquadrão Rogue, que passam voando, já adianto aos leitores.

Alguns dos capítulos do livro são dedicados à missões de treinamento, onde todos precisam aprender (na marra) o que significa fazer parte do esquadrão e qual o seu lugar dentro dele. Sacrificar-se para que o companheiro sobreviva é uma atitude nobre, mas o comandante Antilles não quer que nenhum piloto tenha o mesmo destino dos seus amigos durante as batalhas anteriores.

Para aqueles que acreditavam que somente os melhores pilotos podiam ingressar no Esquadrão, ledo engano. A politicagem também vai rolar solta quando membros de diversos planetas são indicados em troca de favores. O Esquadrão Rogue deixou de ser apenas mais uma unidade no meio de tantas outras e agora é um símbolo poderoso e implacável da luta dos rebeldes contra o Império.

 
"Wedge, você é o melhor que nós temos. Isso pode não impressionar você, mas tem um monte de pilotos do Império lá fora que perdem parte do sono à noite porque têm pesadelos com você na cola deles."

Além de seguirmos os pontos de vista dos pilotos Wedge Antilles e Corran Horn, também temos a visão do outro lado. Kirtan Loor, agente da inteligência imperial, é o encarregado pela agora diretora imperial Ysanne Isard de dar cabo do Esquadrão Rogue e acabar com essa ameaça, deixando assim o caminho livre para o Império reconquistar a galáxia. Foi esclarecedor ter esse outro ponto de vista, ainda mais que Kirtan não é um personagem detestável e tem suas qualidades.

Aos leitores preocupados com uma possível linguagem técnica durante as missões e treinamentos, podem ficar tranquilos: o vocabulário usado por Stackpole é simples e fácil de se pegar após alguns capítulos, sem contar que a tradução de Alex Mandarino ficou muito boa. A leitura flui tão suavemente que, quando percebi, já estava terminando essa obra ímpar e empolgante.

As lutas entre os X-wings e os TIE Fighters são de arrepiar, adrenalina pura!

Fica aí a recomendação desse baita livro, tenho certeza que os fãs de Star Wars irão curtir muito! Se você quiser se sentir um Luke Skywalker da vida destruindo a Estrela da Morte, é tiro certeiro.

Avaliação final:

X-Wing:

Livro 1 - Esquadrão Rogue
Livro 2 - Wedge's Gamble
Livro 3 - The Krytos Trap
Livro 4 - The Bacta War
...

26 de dez de 2016

Resenha: Duna - Frank Herbert

Título: Duna
Original: Dune
Série: Crônicas de Duna/Dune #1
Autor: Frank Herbert
Páginas: 544
Editora: Aleph (2010)

Sinopse: A vida do jovem Paul Atreides está prestes a mudar radicalmente. Após a visita de uma mulher misteriosa, ele é obrigado a deixar seu planeta natal para sobreviver ao ambiente árido e severo de Arrakis, o Planeta Deserto. Envolvido numa intrincada teia política e religiosa, Paul divide-se entre as obrigações de herdeiro e seu treinamento nas doutrinas secretas de uma antiga irmandade, que vê nele a esperança de realização de um plano urdido há séculos. Ecos de profecias ancestrais também o cercam entre os nativos de Arrakis. Seria ele o eleito que tornaria viáveis seus sonhos e planos ocultos? 

Nada como voltar à vida de blogueiro depois de 8 meses de intercâmbio na Irlanda como estudante e 2 meses mochilando pela Europa toda. Foi sensacional, um sonho realizado junto da minha namorada, e agora estou de volta para alegrar a vida dos leitores fanáticos do Desbravando Livros!

Para fechar o ano com chave de ouro, escolhi fazer uma resenha de Duna, clássico de ficção científica/fantasia do Frank Herbert. Tenho certeza que vocês ficarão com muita vontade de ler!

Quando uma teia de conspirações atinge a família Atreides, todos ao redor são afetados. Após mudarem-se para Arrakis, o planeta-deserto, por decisão imperial, os Atreides sofrem um poderoso golpe e são obrigados a fugir para salvar suas vidas, sem antes sofrer pela morte de um dos seus. É nessa hora que Paul Atreides, o protagonista dessa história, descobre que faz parte de um plano milenar organizado pelas Bene Gesserit, uma antiga irmandade da qual sua mãe Jessica faz parte.

Sinal de verme, por LukeOram

Ao acompanharmos o destino de Paul, o planeta Arrakis e sua paisagem árida começam a tomar forma diante dos nossos olhos. Ao mesmo tempo em que sofre de escassez de recursos naturais, o Planeta Deserto é o único fornecedor de mélange, a especiaria mais desejada do universo.

Prepare-se também para dar de cara com os temidos vermes-de-areia, criaturas gigantescas que fazem parte de Duna e serão importantes no decorrer da trama. Fique de olhos bem abertos.

Além de focar bastante na forma de utilização e aproveitamento dos recursos naturais, durante a leitura nos damos conta de que a religião é um fator imprescindível para o avanço da trama.

E quando religião e política se encontram, é treta na certa. Dá para perceber logo de cara lendo-se as epígrafes de cada capítulo, onde acontecimentos futuros são apresentados e já vamos tendo uma breve noção de onde a obra vai parar. Eu confesso que até tinha achado isso bem estranho no começo, mas o autor parece que vai levando o leitor de ponto a ponto na narrativa de uma maneira tão perfeita e concisa que a gente nem se incomoda muito com esses "spoilers" repentinos. 

 

A narrativa é muito boa, bem cadenciada, com momentos onde temos visões do futuro que está por vir e mesmo assim queremos saber exatamente como as coisas se desenrolam para chegarmos naquele ponto. É como se o autor chegasse pra ti e dissesse: “Olha só, isso aqui vai acontecer em breve, bem desse jeito, mas espera só um pouquinho, senta ali no sofá que eu vou te contar a história por trás de tudo isso, você vai gostar”. É algo bem dinâmico e que eu curti bastante.

Em Arrakis também vive o povo fremen, do qual que eu pretendo falar mais nas resenhas seguintes. Só saibam que eles acolham Paul e criam uma relação estreita com a família Atreides. Passando um pouco para o lado rival dos Atreides, temos os Harkonnen. Preparem-se para uma boa dose de raiva e "tramas por trás de tramas" no meio dos conflitos entre eles.

Duna é, sem sombra de dúvidas, um livro que parece manter-se firme ao longo dos tempos. No decorrer das suas quase 600 páginas, pareceu-me que o livro não havia sido escrito no século passado, e sim alguns anos atrás, até mesmo hoje, tal é a maneira com que são abordados alguns dos assuntos atuais e de problemática mundial (escassez de recursos naturas, religião e política).

Bene Gesserit e Guilda Espacial em reunião, por Ville Ericsson

Toda a cultura do povo fremen, o incrível e perigoso planeta de Arrakis, as intrigas políticas de cada capítulo, tudo foi muito bem desenvolvido e deixa o leitor com vontade de saber o que acontecerá nas páginas seguintes. Com certeza lerei os próximos livros da série Duna!

Avaliação final:

Duna:

Livro 1 - Duna
Livro 2 - O Messias de Duna
Livro 3 - Os Filhos de Duna
Livro 4 - O Imperador-Deus de Duna
Livro 5 - Os Hereges de Duna
Livro 6 - As Herdeiras de Duna
...

1 de set de 2016

Resenha: Rebelde - Bernard Cornwell


Título: Rebelde
Original: Rebel
Série: As Crônicas de Starbuck/Starbuck Chronicles #1
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 392
Editora: Record (novembro de 2014)

Sinopse: Durante o verão de 1861, os exércitos do norte e do sul dos Estados Unidos se preparam para travar o que entraria para a história como a Guerra de Secessão. Rebelde é a fantástica história de como o jovem nortista Nathaniel Starbuck se rebela e luta a favor dos sulistas. Abandonado pela mulher que julgava amá-lo e afastado da família, Nathaniel chega a Richmond, na Virgínia, capital da Confederação sulista. Lá, depara-se com uma turba acossando nortistas e tenta não se envolver. Porém, quando percebe que seu sobrenome é capaz de gerar uma fúria ainda maior pois é filho do reverendo Elial Starbuck, grande defensor de ideias antiescravagistas , é resgatado por Washington Faulconer, um milionário excêntrico que deseja reunir uma companhia de elite para lutar contra os ianques. Como forma de gratidão, Nathaniel se alista na Legião Faulconer, mesmo sabendo que isso significa ter de lutar contra o próprio povo. Outros cidadãos enfrentam dilemas semelhantes, no entanto, em pouco tempo, todos se renderão ao caos e à violência que dividiu a América em duas.

Só pra variar um pouquinho, mais uma resenha do autor Bernard Cornwell aqui no blog. Esse é o 21º (!) livro do autor que eu desbravo e simplesmente não consigo parar. Minha meta é ler todos os livros do mestre até morrer, então tenho um bom tempo e muitas histórias ótimas pela frente.

A bola da vez foi Rebelde, primeiro livro d'As Crônicas de Starbuck, lançado no finalzinho de 2014 aqui no Brasil pelo Grupo Editorial Record. Logo no primeiro capítulos somos apresentados a Nathaniel Starbuck, o protagonista dessa história sangrenta que dividiu os Estados Unidos em dois.


Em 1861, quando vários estados escravagistas do Sul declararam secessão e formaram os "Estados Confederados da América", ou "Confederação, fazendo oposição aos demais estados, que ficaram conhecidos como "União" ou "Norte", ninguém imaginaria que o conflito ficaria conhecido como um dos mais sangrentos da História. A Guerra de Secessão, como foi chamada, durou quatro anos, até 1865, e deixou mais de 600 mil mortos em seu rastro. É no meio desse fuzuê todo que Nathaniel Starbuck se encontra e teremos a história narrada pelo seu ponto de vista, em terceira pessoa.

O estopim de tudo foi a tomada do Forte Sumter em abril de 1861, na Carolina do Sul, pelas forças armadas da Confederação. O que parecia apenas uma crise no início do governo do então presidente republicano Abraham Lincoln acabava de se transformar em uma temida guerra civil.

Após ter largado os estudos para seguir uma jovem e ver essa mesma o abandonar, Nathaniel, um nortista nascido em Boston, filho do famoso reverendo Elial Starbuck, chega até a cidade de Richmond, na Virgínia (estado sulista), à procura de Adam, seu amigo de infância e filho do coronel Washington Faulconer. Ao chegar em Richmond, é rapidamente identificado como um nortista e encurralado pelos civis, só sendo poupado quando o próprio Washington aparece.

Nesse primeiro capítulo já podemos ter uma amostra do clima de tensão existente entre os estados americanos. Uma mistura perigosa de xenofobia e ódio crescentes, muito próxima de explodir.

"Como poderia haver uma guerra nessa terra boa? Esses eram os Estados Unidos da América, o apogeu da luta do homem por um governo perfeito e uma sociedade temente a Deus, e os únicos inimigos jamais vistos nessa terra feliz foram os ingleses e os índios, e esses dois inimigos, graças à providência divina e à força americana, haviam sido derrotados."

Voltando ao que interessa, descobrimos que o coronel Washington Faulconer está montando uma legião para lutar na guerra, e Starbuck acaba sendo inevitalmente recrutado para a mesma, onde começa a trabalhar para o dono da Faulconer Court House, condado da Virgínia.

É só a partir daí que a história começa a andar num ritmo mais rápido, com personagens novos sendo apresentados, como Anna Faulconer, filha do coronel, e Ethan Ridley, seu prometido. Sally e Thomas Trusllow, outros dois personagens, também terão papéis importantes na vida de Nathaniel. Preste atenção neles. Outros também poderia ser mencionados, mas farei isso mais adiante.

Ao contrário dos outros personagens principais de Bernard Cornwell, como Uhtred, Derfel e Richard Sharpe, Nathaniel Starbuck não é um daqueles protagonistas que começamos a gostar desde as primeiras páginas. Remoído pelo seu passado e atormentado por pesadelos, Starbuck tem receio em cometer pecados que possam afrontar o seu Deus, e isso é algo bem recorrente em todos os capítulos desse primeiro livro da série, onde ele deixa de tomar certas atitudes que lhe parecem corretas num primeiro momento por causa do seu temor religioso e uma possível punição divina.

Sem contar que ele, como nortista lutando pelo Sul, estará enfrentando pessoas do seu "país".

A trama toda vai se construindo de uma maneira regular e sem pressa, chegando ao seu ápice na Batalha de Manassas, próxima ao riacho Bull Run, onde os exércitos Confederados e da União se encontrarão para um primeiro embate sangrento. Torcemos por alguns personagens e aguardamos ansiosamente pela morte de outros, um misto de empatia e até mesmo admiração por aqueles que fizeram parte de um momento histórico, não só para a formação de um país, mas para o mundo.


É possível sentir o cheiro da pólvora que fica no ar após os tiros de canhão e disparos das pistolas, a agonia de soldados feridos tentando se agarrar ao último resquício de vida. Bernard Cornwell é um mestre em fazer isso e aqui também podemos perceber a sua habilidade em narrar batalhas, mesmo que eu, pessoalmente, prefira a boa e velha luta de guerreiros com espadas e escudos.

"Se você cresce no campo, vive ouvindo falar do circo. Todas as maravilhas do circo. Os shows de aberrações e os números com animais, incluindo o elefante, e todas as crianças ficam perguntando o que é o elefante, mas você não consegue explicar, até que um dia leva seus filhos e eles veem. A primeira batalha de um homem é assim. Igual a ver o elefante. Alguns homens mijam na calça, alguns correm feito o diabo, alguns fazem o inimigo fugir."

Confesso até que, num primeiro momento, nem me interessava muito pela Guerra de Secessão, visto que na escola é um assunto debatido muito rapidamente e sem o aprofundamento necessário, mas agora, com outra visão, quero entender mais sobre como essa guerra afetou toda a nação norte-americana. Afinal, temos a oportunidade de ler um período desses na escrita de B. Cornwell.

Rebelde foi uma leitura bem aguardável, mas guardarei a 5ª estrelinha para os próximos livros, que pretendo desbravar no próximo ano. Traidor ainda precisa ser comprado e os seguintes lançados aqui no Brasil, mas quem sabe eu não parto para a leitura deles em inglês mesmo? Só o tempo dirá!

Avaliação final:

As Crônicas de Starbuck:

Livro 1 - Rebelde
Livro 2 - Traidor
Livro 3 - Battle Flag (previsão de lançamento no Brasil para 2017)
Livro 4 - The Bloody Ground
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